Embora a garantia pública para jovens possa facilitar o acesso ao crédito habitação em alguns casos, nem sempre resolve todas as necessidades de financiamento. Quando a entrada continua a ser um problema, muitas famílias recorrem ao apoio dos pais, incluindo soluções como a hipoteca familiar ou dupla garantia, que podem melhorar as condições do empréstimo e tornar a compra viável.
Neste artigo explicamos como funciona esta modalidade, que riscos existem para os pais e de que forma este envolvimento familiar altera o crédito habitação.
A hipoteca familiar (ou dupla garantia) acontece quando os pais, ou outros familiares diretos, dão a sua própria casa como garantia para ajudar o filho a obter o financiamento bancário para comprar um imóvel.
Na prática, o crédito fica associado a duas casas: aquela que vai ser comprada e a casa dos pais. Como o banco passa a ter dois imóveis como garantia em caso de incumprimento, o risco da operação desce drasticamente.
Essa redução de risco permite ao banco ser mais flexível nas condições oferecidas, o que pode traduzir se em vantagens como:
Apesar de ser uma solução eficaz, a hipoteca familiar exige uma análise rigorosa por parte do banco e alguma documentação.
O processo começa com a simulação e análise de viabilidade, onde o banco avalia os rendimentos do filho (o titular do crédito) e o valor dos dois imóveis envolvidos. Ambos terão de ser avaliados por peritos para garantir que o seu valor cobre o montante do empréstimo.
Os documentos habitualmente exigidos incluem:
No momento da escritura, o contrato de mútuo com hipoteca regista que o titular do crédito é o filho, mas menciona expressamente que a casa dos pais serve de garantia acessória até que a dívida seja paga ou renegociada.
A dupla garantia é uma excelente ajuda, mas acarreta responsabilidades legais e financeiras muito sérias para a família. Ao usarem a sua casa como garantia, os pais assumem um risco direto sobre o empréstimo do filho.
O principal risco é a execução hipotecária. Se o titular do crédito deixar de pagar as prestações mensais, o banco tem o direito de executar a hipoteca e avançar para a penhora. Como há dois imóveis associados ao crédito, o banco pode decidir qual deles executar para recuperar o dinheiro em dívida, o que significa que os pais podem perder a sua casa.
Além disso, enquanto o crédito estiver a decorrer, o imóvel dos pais fica com um ónus (uma limitação legal). Isso significa que não poderão vender a casa com facilidade nem usá-la como garantia para pedir um novo crédito para si próprios.
Se o risco de envolver a casa dos pais for considerado demasiado elevado, existem outras formas de apoio familiar que podem facilitar a aprovação do crédito habitação:
A decisão de avançar com uma dupla garantia deve ser tomada com muita ponderação. É fundamental que pais e filhos discutam abertamente todos os cenários possíveis, incluindo o que aconteceria em caso de desemprego, divórcio ou doença do titular do crédito.
Uma boa estratégia é planear libertar a casa dos pais o mais cedo possível. Assim que o valor em dívida do crédito habitação baixar e for equivalente a 80% ou 90% do valor da casa do filho, é possível pedir ao banco para renegociar o contrato e retirar o imóvel dos pais da hipoteca.
A hipoteca familiar é uma ferramenta poderosa para contornar a falta de poupanças e viabilizar a compra da primeira casa. No entanto, é um compromisso a longo prazo que afeta o património de toda a família.
Com planeamento, transparência e conhecimento dos riscos, este apoio pode ser o empurrão necessário para a independência financeira dos mais jovens. O segredo está em analisar todas as opções e escolher a que melhor protege o futuro de todos.
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